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Nau Medusa

Nau de linha, de construção em madeira e de propulsão à vela, construída no arsenal de Lisboa com as melhores madeiras do Brasil e lançada ao mar em 29 de agosto de 1786. Media 56m de quilha, 14m de boca e 11m de pontal. Sua artilharia contava com 74 peças lisas, antecargas em baterias corridas. Tinha na proa uma figura da medusa, uma das três Gorgonas, cuja beleza era extraordinária, aumentada por uma cabeleira magnífica. Partiu incorporada à esquadra que conduziu ao Brasil a família real portuguesa, a 29 de novembro de 1807, sob o comando do capitão-de-mar-e-guerra Henrique da Fonseca de Souza Prego.

Em seus porões transportava uma carga valiosa: dois prelos e 28 caixas de tipos, sob a responsabilidade de Antonio de Araújo e Azevedo, o Conde da Barca. Ele chegou ao Rio de Janeiro em 7 de março de 1808. Era o ministro dos Negócios Estrangeiros e da Guerra. Após o desembarque, levou o valioso carregamento para a residência que lhe foi concedida: casa 44, da rua do Passeio, primeira sede da IN, então Impressão Régia. Em 1819, no porto do Rio de Janeiro foi transformada em Cábrea, e assim se conservou até a Independência. Ainda fazia esse serviço em 1825.

Tempo depois foi desarmada no ancoradouro da Saúde. O Museu da Imprensa guarda uma réplica da embarcação, confeccionada para a comemoração dos 500 anos do Brasil e aniversário da IN (13 de maio) em 2000. Sua construção coube aos servidores da Casa, Antônio Edson Araújo Batista e Alex Coelho Papeira, lotados no então Laboratório de Conservação e Restauração de Obras Raras. (Rubens Cavalcante Junior)