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Impressora Marinoni Ministro Vicente Ráo

A história desta impressora é marcada por feitos grandiosos, que significaram inestimáveis serviços à cidadania, à democracia, por meio da informação das leis impressas por ela. Uma história que, além disso, tem muito a ver com Brasília. Ainda no Rio de Janeiro ela imprimiu, na IN, a Lei nº 3.237, de 1º de outubro de 1957. Artigo primeiro dessa lei, assinada pelo presidente Juscelino Kubitschek: Em cumprimento do artigo 4º e seu § 3º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição de 1946 será transferida, no dia 21 de abril de 1960, a Capital da União para o novo Distrito Federal já delimitado no planalto central do País.

O segundo momento de glória ocorreria quase três anos e meio após esse primeiro feito, quando a Marinoni concretizou a determinação do presidente JK. No dia 21 de abril de 1960, em Brasília, ela rodou, cumprindo fielmente a vontade do Presidente da República, o Diário Oficial que oficializou, cumpriu o princípio constitucional da publicidade e concebeu legalidade à nova capital do Brasil. JK confiava no diretor-geral da IN, Alberto Sá Souza Britto Pereira, nos seus servidores e na Marinoni. Gostava da impressora, tanto que foi até a IN para acionar o botão para rodar o Diário Oficial do dia 21 de abril, que circulou no dia 22.

Exatamente um mês antes, em 21 de março de 1960, apôs sua assinatura em um exemplar-teste do Diário Oficial, rodado pela Marinoni, imediatamente após sua montagem em Brasília, em um prédio em obras, coberto apenas com lajes. O secretário-geral do Ministério da Justiça (a quem a Imprensa Nacional era vinculada) acompanhou o teste. E levou exemplares do teste ao ministro da Justiça Armando Falcão, que os levou ao presidente JK. Entusiasmado, JK autografou esses exemplares. O Museu da Imprensa guarda um deles em seu acervo, doação da Associação dos Servidores da IN (Asdin). O Presidente da República fez, naquele instante, um agradecimento aos 50 primeiros servidores da IN que foram, às pressas, transferidos do Rio de Janeiro para a missão de fazer com que o Órgão tivesse condições de rodar a tempo o Diário Oficial em Brasília.

Não foi nada fácil a desmontagem, no Rio, e, em Brasília, a remontagem da Marinoni. O diretor-geral Britto Pereira selecionou os melhores servidores de mecânica pesada para a tarefa, que só no Rio consumiu 25 dias de trabalho. Eram nove mecânicos e cinco ajudantes. Após o desmonte da impressora, as peças da máquina foram colocadas em cinco caminhões, que partiram no dia 11 de fevereiro de 1960 e chegaram em Brasília quatro dias depois, passando pelo Triângulo Mineiro. Em cada caminhão, a carga foi acompanhada por um mecânico. O servidor José Santiago da Costa viajou em um deles; Orlando de Oliveira Sá em outro; Clodomir Lucas dos Reis, estava a bordo de um terceiro caminhão; Israel Alves de Souza acompanhou outra carga do comboio e Tennynson da Silva Faro, a outra. De avião, chegaram entre o dia 16 de fevereiro e 9 de março, Vanderlei de Souza, Hermógenes da Silva e Jesuíno Hilário da Silva. O mecânico responsável pela remontagem da Marinoni, Plínio Fonseca Terterola, chegou em Brasília no dia 25 de fevereiro.

Pioneira em tecnologia gráfica de ponta, a IN adquiriu — desde o final do século 19 até os anos 1980 — várias impressoras Marinoni . As sete primeiras, que eram impressoras planas e rotativas de pequeno porte, serviram ao Órgão a partir de 1894. Em 1902, chegou ao Brasil a primeira Marinoni de grande porte, para a IN. Foi a Leopoldo de Bulhões, hoje exposta no Museu da Imprensa.

A Marinoni Ministro Vicente Ráo (homenagem ao ministro da Justiça Vicente Ráo – de 1934 a 1937, do Governo Getúlio Vargas) foi incorporada ao parque gráfico da IN em 1935. Trabalhou 42 anos ininterruptos. Rodou o último exemplar do Diário Oficial no dia 30 de novembro de 1977 – dia que faleceu o ministro Vicente Ráo. Os últimos impressores que trabalharam com ela foram os servidores Adelrui Gonçalves Santos, Eufrásio Pereira de Mendonça e Francisco Coelho. Sua produção era de 30 mil impressões por hora. Está plantada na Praça Impressão Régia da IN. Seu tamanho e peso impressionam os visitantes: 10,35 metros de comprimento por 3,83 de altura; pesa 56 toneladas. (José Vivaldino Carvalho Bernardes, jornalista e servidor aposentado da IN)