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MEMÓRIA GRÁFICA

Empresário paulista doa impressoras tipográficas para o Museu da Imprensa

Publicado: 19/03/2020 18:30:00

Neste 2020, quando o Museu da Imprensa completa 38 anos de preservação da história da indústria gráfico-editorial do País, um presente robusto acaba de chegar ao espaço cultural mantido pela IN, enviado pelo empresário paulista do ramo, Marino Zolli Filho: uma impressora tipográfica marca GMA Frontex, de uma tonelada, remanescente do maquinário da gráfica Impressora Fremary Ltda e única dessa marca sueca a compor o acervo a partir de agora. Como havia espaço na carroceria do caminhão da transportadora Abace – Cargas e Transporte Ltda, Marino Zolli ainda incluiu no pacote uma impressora tipográfica de pequeno porte, chamada de "mascote" no linguajar gráfico.

O contato para doação dos equipamentos partiu de Rafael da Silva Zolli, filho do empresário, que em janeiro deste ano informou ao responsável pelo Complexo Cultural da IN, servidor Rubens Cavalcante Júnior, a intenção de doar ao Museu a impressora adquirida em 1973 por seu avô, Marino Zolli. Os contatos intensificaram-se com a instituição da Comissão Organizadora do 212º aniversário da IN, comemorado no próximo 13 de maio, mesma data do aniversário de 38 anos do Museu. As despesas de transporte da impressora de São Paulo para Brasília foram viabilizadas numa triangulação com a Associação dos Amigos do Complexo Cultural da Casa (AMI) que assumiu o valor do frete juntamente com a família Zolli. Dessa maneira, resgatou-se a tradição de se incorporar uma peça de valor histórico ao acervo do Museu por ocasião do seu aniversário.

Com a morte do avô de Rafael, os negócios da gráfica foram tocados pelo pai, Marino Zolli Filho. "Meu pai voltou ao mercado de trabalho e eu ajudei ele a vender algumas máquinas mais novas que tínhamos. Mas não tivemos coragem de negociar essa máquina por preço de banana ou sucata", informa Rafael. Nesse momento, surgiu a ideia de procurar um museu. Depois de algumas pesquisas, Rafael localizou o Museu da Imprensa, assistiu alguns vídeos do Youtube e descobriu o nome e contato do historiador Rubens Cavalcante. "Foi quando decidimos procurar o Museu. Para nossa sorte vocês aceitaram nossa doação".

Rafael havia prometido ao avô que nunca esqueceria dele nem do seu legado. "Preservar a impressora é uma das maiores homenagens que nossa família pode fazer. Então a máquina dele sendo eternizada no Museu da Imprensa é demais"! A veneração de Rafael pelo equipamento é compartilhada pelo historiador Rubens Cavalcante, que parabenizou a atitude e a história da família. "Hoje em dia poucos têm essa reverência ao passado e às pessoas que marcaram nossas vidas. O Museu da Imprensa agradece de coração essa doação", retribuiu Rubens.

Como explica Rafael Zolli, a fabricação da impressora aconteceu em 1951. Aberta em 18 de setembro de 1971, dois anos depois a Fremary adquiriu a GMA Frontex para imprimir notas fiscais com prioridade, mas também cartões de visitas, folhetos, convites de casamentos, cartazes, rótulos e outros impressos. Nessa atividade, a impressora manteve-se operante até 2013, ano em que a Fremary encerrou sua atuação no mercado. "O golpe final veio com a novidade das notas fiscais eletrônicas. Infelizmente foi o fim de uma jornada muito bonita, de muitas lutas", conforma-se.

Provisoriamente a impressora está sob a marquise do Museu, lá depositada na manhã de ontem pela empilhadeira dirigida de imediato pela equipe da Coordenação de Recursos Logísticos/Divisão de Almoxarifado e Patrimônio (Colog/Dialp). Logo ocupará lugar de destaque junto a outras peças do acervo. Em tempos de coronavírus, já encontra-se devidamente higienizada e deve receber nova pintura para ser incorporada oficialmente ao Museu em 13 de maio, provavelmente com a presença do empresário Marino Zolli Filho e familiares.